Nossos Comerciais, por favor!!



Cigarro

QUEIMANDO DINHEIRO


Absolutamente QUALQUER coisa, bem propagandeada, pode se tornar um sucesso. Alguns políticos brasileiros são um exemplo disso. Mas talvez a maior prova disso seja o comércio de cigarros.
Alguém pega o dinheiro que suou para ganhar, vai a uma loja, compra um pacotinho cheio de rolinhos de papel. Bota fogo numa ponta e coloca a outra na boca. Aspira a fumaça e, com isso, nicotina, alcatrão e mais dezenas de substâncias danosas ao organismo. Em poucos segundos esse rolinho acabou. Em um dia, ou menos, o pacote de rolinhos acaba e a pessoa compra outro. Se alguém tirasse todos os dias dessa pessoa o valor de um maço de cigarro, com certeza ela ficaria revoltada e diria que estava mais pobre por culpa desse ladrão. Mas não liga em literalmente queimar seu dinheiro enquanto aspira a fumaça...
Obviamente, para que as pessoas façam uma estupidez como essa, as propagandas precisam fazer com que ela creia que esse hábito será interessante por algum motivo.

Como a indústria de cigarros tem bastante dinheiro para gastar, as propagandas desse produto costumam estar entre as melhores tecnicamente. Belas cenas, belas músicas, e péssimas mensagens subliminares.
As primeiras propagandas faziam os homens acreditarem que seriam mais másculos fumando. Por anos o "Homem de Marlboro" desfilou sua masculinidade sobre um cavalo, com um ar sério e confiável. Isso até morrer de câncer de pulmão há alguns anos.

Mas os fabricantes de cigarros não se conformaram com esse mercado reduzido, de homens cuja masculinidade precisava de um cigarro para se afirmar e atacaram um mercado até mais fácil: as mulheres. Toda mulher, para se sentir independente, inteligente, moderna e liberada tinha que fumar. É claro que, ao fazer isso, ela se tornava dependente e mostrava ter pouca inteligência, mas aí já era tarde...
Cheguei a testemunhar uma época onde fumar era um hábito muito mais feminino que masculino. Isso até tem uma explicação, uma vez que as mulheres têm mais dificuldade em largar o cigarro, aparentemente por problemas de receptores hormonais.
 
Foi quando a indústria notou que, quando essas mulheres morressem (o que ocorreria logo), o mercado se retrairia. Então foi a época das belíssimas propagandas de cigarros com rock (geralmente Journey) ao fundo e imagens de esportes radicais. De tempos em tempos esse estilo de propaganda ainda volta a ser utilizado. Lembro de uma particularmente infame, onde um grupo de jovens vai com veleiros num grupo de ilhas paradisíacas e, após cenas mostrando a dificuldade para chegar no centro desse grupo de ilhas, param e fumam um cigarro, levando para um local isolado a poluição que deveriam deixar em suas casas.

Isso foi concomitante com o patrocínio maciço da Formula 1, a ponto da gente estranhar quando a Lotus deixou de fazer propaganda do John Player Special e da MacLaren parar com o Marlboro, etc.
Uma vez que o público mais esportivo estava garantido, faltava os intelectuais. Foi a época do lançamento do Free no Brasil. Onde cada propaganda mostrava um homem ou mulher bastante diferenciado, morando em belos apartamentos, ouvindo jazz (que alguém rotulou como sinal de inteligência, não sei bem por que), fazendo projetos arquitetônicos e, é claro, fumando Free. Diziam que era uma "questão de bom senso". Não sei bem o que isso significava, mas os intelectuais adoraram. Para reforçar essa imagem, ainda patrocinaram o Free Jazz Festival, difundindo outra droga, além do tabaco, entre os brasileiros...

Mais recentemente, as propagandas foram ainda mais espertas. Como não era mais possível legalmente focar no público adolescente, os publicitários fizeram o seguinte: propagandas aparentemente comuns, mas com uma trilha sonora toda formada por músicas que eram apreciadas por jovens dos 13 aos 15 anos, não por adultos. E bingo!! Hoje, qualquer pessoa que ande pelas ruas pela manhã, quando os adolescentes estão indo paras as escolas, vê os bons efeitos dessa campanha sobre essa faixa etária.

Nos últimos tempos, algumas medidas foram tomadas para reprimir as propagandas de cigarro na TV, Radio, etc. Mas quem tem dinheiro sempre acha uma alternativa. Recentemente, uma novela da Globo mostrou um personagem que fumava o tempo todo. Detalhe, o ator é famoso por atrair as mulheres e, portanto, serviria de modelo para muito homem frustrado.

Fortunadamente, já temos tratamentos para esse vicio, inclusive uma medicação que tem um índice bastante alto de eficiência (maior em homens, pelos motivos já expostos). Curiosamente, para se comprar a medicação, é necessário uma receita de medicação controlada. Já para comprar cigarros...



Escrito por Mau_Mau às 11h16
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Saudade

Para não me acusarem de só meter o pau (já que no outro blog essa acusação é recorrente) vou falar de uma propaganda que me surpreendeu ao me emocionar. Trata-se do filme criado pela F/Nazca para anunciar as promoções da Claro para o Dia dos Pais e destaca o aparelho V3 Black .

O filme mostra uma menina segurando o celular V3 Black, da Motorola, na beira do mar para captar o som das ondas. Na seqüência ela capta o rangido do portão, o toque de um mensageiro de vento, o canto de um passarinho e outros sons de sua casa. Por último ela capta o som do ursinho de pelúcia e pergunta: “E aí papai, matou a saudade?"

Acho que uma boa propaganda deve ser assim. A primeira vez que assisti fiquei intrigado querendo saber por que a menina estaria registrando aqueles sons, tão prosáicos, e o final não só justificou como revelou uma ligação de afeto entre pai e filha, nos lembrando de como temos saudades dos sons simples de nossa casa, do lugar onde vivemos com quem amamos.
Não tem piadinha, não tem sexo e não tem computação gráfica. Só uma menina e uma música melancólica. Coisa de gênio...
Quem quiser assistir a essa propaganda, pois nem todo mundo vive onde tem Claro, coloquei o video no Youtube.


FICHA TÉCNICA:
 
   Título: Saudade
    Direção de Criação: Fabio Fernandes, Eduardo Lima
    Criação: Eduardo Lima, Ricardo Jones, Airton Carmignani
    Direção: Gustavo Leme
    Produtora: Delicatessen, Produtora Associados
    Pós Produção: Tribbo Post



Escrito por Mau_Mau às 05h18
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BEBA UMA GELADA E ENTRE NUMA IDEM


Não tenho nada contra cerveja. Embora só aprecie em dias muito quentes e prefira outras bebidas alcoólicas em dias mais frios. Mas todo homem que gosta precisa saber de algumas coisas:


1 - Na vida real, NUNCA que a Juliana Paes iria se interessar por um homem com a cara e o corpo do Bussunda (que Deus o tenha). Muito menos por ele beber essa ou aquela marca de cerveja.
2 - NENHUMA mulher gostosa toma cerveja, pois é a bebida alcoólica que mais engorda (é um alimento muito forte) e dá celulite (pelo gás). Elas geralmente preferem os destilados, particularmente vodka.
3 - As mulheres tendem a não gostar de homens que tomam muita cerveja visto que, de todas as bebidas alcoólicas, é a que dá o bafo mais desagradável.

Portanto, ao ver essas propagandas onde um homem é assediado por mulheres gostosíssimas só por ele estar tomando uma certa marca de cerveja, entenda que o mais provável é que estejam mostrando um caso de alcoolismo grave e o indivíduo em questão já está delirando.


Lembram quando as propagandas de cerveja tinham que ser pensadas (pelos criadores)?? Como a da Kaiser com o baixinho de bigode ("A Kaiser é uma grande cerveja...")? Uma das obras primas da DPZ.

  
Aí veio a fase "infanto-juvenil" das propagandas, com tartaruguinhas e siris engraçadinhos que tomavam cerveja (na vida real, ambas as espécies morreriam se tomassem tal bebida). Pelo que soube, em boa hora, o Juizado da Infância e Juventude não gostou dessas propagandas que pareciam voltadas a um público que deveria estar longe da cerveja e as agências tiveram que mudar o foco.

 
Foi quando descobriram que a coisa mais fácil a se fazer era copiar as "folhinhas" de borracharia: colocar um monte de mulher gostosa tomando cerveja ou se insinuando para homens tomando essa ou aquela marca.

O mais engraçado (ou triste, dependendo do ponto de vista) é que essas propagandas parecem fazer os trouxas que consomem cerveja acreditar nisso e eles tomam a "loira gelada" esperando que uma igual - porém quente - apareça e pule no seu colo. Aprecie com moderação, mas sonhe à vontade...



Escrito por Mau_Mau às 06h59
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ÉTICA E PROPAGANDA

Como esse Blog não existia na época que essas propaganda foram veiculadas, irei começar com duas peças que me causaram espanto pela total falta de gosto e por serem do mesmo produto, portanto as duas idéias infelizes devem ter saído da mesma cabeça.

Dois nerds adolescentes aparentando 14-15 anos estão em uma LAN House quando uma mulher estonteante com um decote generoso de debruça entre eles, deixando metade dos peitos à mostra bem na altura dos olhos dos meninos. Os dois mal podem acreditar no que estão vendo (e tão de perto) e suas expressões são um misto de surpresa e excitação. A moça pergunta o que eles estão fazendo e eles explicam que estão usando um novo software que mistura discador, navegador e player. Ao que ela fica toda entusiasmada e pergunta: "Dá pra ver filme de sacanagem? Eu adoro filme de sacanagem. Vocês não?" diante dos olhos espantados dos meninos.

Essa cena foi tirada de alguma pornochanchada da década de 80, quando não existiam restrições à participação de menores em filmes com conteúdo sexual? Não. Foi tirada de algum filme veiculado por uma rede de pedofilia internacional, cujos integrantes foram presos recentemente? Não...

Por incrível que pareça, essa cena fez parte de uma propaganda veiculada em 2002. Era o lançamento do Icon do IBest. Saber que esse tipo de propaganda foi aprovada pela empresa que escolhe os melhores sites da internet brasileira é preocupante.

Ninguém quer se fazer de ingênuo e acreditar que dois adolescentes de 14 anos não assistem videos pornôs pela internet. Ninguém quer nem duvidar que muitos desses jovens já praticam o que vêem nesses videos (embora a escolha de dois garotos com cara de ingênuos sugeriria uma certa inexperiência da parte deles). O que espanta é que, num país que diz lutar contra a pedofilia, a exibição de dois menores de idade sendo convidados a assistir videos pornôs por uma mulher adulta seja aceito com tanta naturalidade.

Existem duas situações distintas: a realidade e a legalidade. Na realidade existe trabalho infantil, prostituição infantil, abuso sexual de menores. O fato de EXISTIR isso não justifica a sua exibição como algo normal, uma vez que é ilegal. E por mais que um garoto de 14 anos sonhe em transar com um mulherão como aquela da propaganda, isso ocorrendo, será considerado ilegal. Sabemos que qualquer pai ficaria orgulhoso do filho adolescente ter levado uma mulher (não me lembro se era a Cicarelli ou a Marieva) daquelas pra cama. A "zona de penumbra" começa quando perguntamos: E se não fosse um mulherão, mas a sua vizinha gorda de 40 anos? E se fosse um homem?? Aí vira pedofilia né??

O mais incrível é que não me lembro de ter visto nenhuma manifestação contra essa peça publicitária. Todo mundo achou engraçado o modo como ela perguntava "E vocês não?" com a boca semiaberta numa atitude bastante provocativa. Troquem a modelo pela Suzana Vieira. Vai continuar sendo engraçado? Troquem pela Fernanda Montenegro. Tá perdendo a graça? Troquem pelo Tarcisio Meira. Agora perdeu totalmente a graça né?

Um país que já foi famoso pelas suas propagandas deveria resistir à tentação de fazer algo "novo", "engraçado" ou "diferente" caso a mensagem inerente à peça estimule algo tão lamentável como a pedofilia.


Mas os "gênios" que criaram a propaganda anterior não se limitaram a essa "obra-prima". Outra peça trazia um rapaz magricela, usando óculos e com um jeito de nerd elevado à décima potência tocando a campainha de uma casa. Enquanto espera, ele relembra umas cenas que nos causam muita estranheza. Nós o vemos com uma rapaz muito boa pinta e sarado em uma série de atividades como se eles fossem grandes amigos. A cada atividade, eles selam sua amizade, batendo a palma da mão de um na palma da mão do outro. Eles aparecem na piscina, onde a diferença de bronzeado e físico de ambos é gritante, na balada e até fazendo tatuagens idênticas juntos. Quando o boa pinta abre a porta, o nerd levanta a mão para que repitam o gesto das cenas anteriores e, para seu espanto, o sarado faz uma cara de desprezo e bate a porta na sua cara. O locutor explica tudo: "Chega de puxar saco de nerd para conseguir mexer na internet. Chegou Icon. As principais funções da internet, num único controle!". Enquanto ouvimos isso, vemos o bonitão finalmente se virando sozinho na internet.

Já essa propaganda gerou uma crítica num blog semelhante a este meu e onde encontrei detalhes sobre a campanha.

As idéias (se é que podemos chamar assim) por trás dessa propaganda são lamentáveis. A internet então é uma coisa tão difícil que as pessoas precisam recorrer a esse tipo de recurso para conseguir navegar? Quem está lendo isso sabe que não é verdade. Todo bonito é burro? Todo nerd não consegue ter amigos exceto quando representa alguma vantagem para eles? E a pior de todas: É correto você se desfazer das pessoas uma vez que elas não te sirvam mais? E isso é exatamente o que o IBest espera dos seus usuários. Tanto que os aconselha a instalar o Icon e dar um pé na bunda do amigo nerd.

A agência Fallon é a responsável pela campanha de lançamento do iCon e assina essas duas pérolas da propaganda brasileira. São peças que, ao serem exibidas no exterior, podem reforçar o estereótipo de lascivo, imoral, superficial e safado que tem o brasileiro nos outros países.

PS: Descobri somente hoje, para minha alegria, que não fui o único a ficar revoltado com essa segunda propaganda. Leiam nesse link abaixo o processo que foi movido contra essa propaganda:

http://www.conar.org.br/html/decisoes_e_casos/2003_jun.htm

Seis consumidores escreveram ao Conar reclamando do conteúdo de filme para a TV do provedor de acesso a internet Ibest. Eles alegam que este estimula a amizade por interesse ao mesmo tempo em que desestimula a dedicação ao estudo e à pesquisa, ridicularizando quem o faz, além de externar visão preconceituosa em relação ao personagem “nerd”.

Ibest e sua agência negam as acusações. Para eles, o filme apenas buscou mostrar de maneira bem-humorada a dependência que normalmente o usuário médio tem em relação a experts em informática.

O relator do recurso considerou que a cena da porta fechada na cara do “nerd” não pode ser entendida de outra forma que não uma discriminação. “Isto pode ser divertido para alguns, mas não para aqueles que enfrentam algum tipo de dificuldade em estabelecer relacionamentos sociais, comprovado pelo número de consumidores queixosos”, escreveu o relator do recurso em seu voto.

Ele considerou que anunciante e agência prevaleceram-se da dificuldade de aceitação social que os “nerds” supostamente sofrem para alavancar negócios, e se os “nerds” sofrem este tipo de discriminação, o comercial só irá reforçar um estigma. Por isso, propôs alteração, voto aceito por unanimidade pela Câmara Especial de Recursos.



Escrito por Mau_Mau às 11h01
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Primeira Postagem

Essa é somente a primeira postagem desse novo Blog. Nele pretendo comentar as propagandas de radio, revistas, jornais e TV que são exibidas no Brasil.

Escrito por Mau_Mau às 05h38
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